A ESTÁTUA DE NUN'ÁLVARES PEREIRA, DESTINADA A LISBOA, AFINAL COLOCADA NA BATALHA, EM 1966 UMA MENTIRA DO 1.º DE ABRIL DE 1950 O monumento a Nun'Álvares Pereira, destinado ao alto do Parque Eduardo VII (Lisboa), com longo historial que remonta pelo menos a 1926 e que teve como autores apontados Francisco dos Santos e Francisco Franco, acabou por ir parar à Batalha (junto ao mosteiro), em 1966, com autoria de Leopoldo de Almeida. Não se trata aqui de desenvolver a tortuosa, mirabolante (sobretudo caricata) história que estamos a redigir para outro local e que inclui António de Spínola, Salazar, deputados da Assembleia Nacional e muitas outras figuras das forças armadas e da intelectualidade portuguesa dos meados do século XX. Mas não era possível deixar de apresentar esta deliciosa mentira do 1.º de Abril de 1950 que prova o interesse e as paixões que a peça despertou na altura. A mentira
DIÁRIO POPULAR - 1.Abril.1950, p. 8
A ESTÁTUA DE NUN’ÁLVARES JÁ FOI COLOCADA NO ALTO DO PARQUE EDUARDO VIIEstá quase demolido o tapume que envolveu por completo o plinto e escondia o assentamento da famosa estátua de Nun’Álvares Pereira, no alto do parque Eduardo VII, a qual vai valorizar uma das mais belas zonas da capital.Durante alguns anos, a população debateu-se na dúvida se o monumento ao condestável apresentaria a figura do herói e santo a pé ou a cavalo – e este problema apaixonou, até, artistas e historiadores que defendiam vivamente as duas teses.Mas esta manhã, finalmente, os lisboetas que passaram no alto do Parque Eduardo VII viram levantada a ponta do véu – isto é, puderam já admirar, emergindo do tosco tapume que a rodeava, a maravilhosa estátua esculpida pelo mestre Leopoldo de Almeida, mostrando Nun’Álvares Pereira, altivo e dominador, no seu ginete de guerreiro. Pelo dia adiante, juntaram-se muitas centenas de curiosos no local onde se ergue o monumento que fica ladeado pelas duas altas colunas já ali colocadas há muito tempo e que imprimem grandeza e dignidade tanto à estátua como ao magnífico Parque Eduardo VII. O desmentidoDIÁRIO POPULAR - 2.Abril.1950, p. 8
A NOSSA MENTIRA DE ONTEMO primeiro de Abril continua a ser o dia das mentiras. Pelo mundo fora, mesmo os jornais mais circunspectos não perdem a ocasião de oferecer aos seus leitores um “poisson d’Avril”, por vezes bem saboroso. E não fogem à regra os jornais portugueses. Ontem, nas nossas colunas, inventámos uma notícia – com gravura e tudo… – dizendo aos leitores que já estava patente, no alto do Parque Eduardo VII, a estátua de Nun’Álvares Pereira, que se projectou colocar ali. Claro que era mentira. O plinto está lá, bem solitário…
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